O futuro Barão de Mambucaba, acompanhado por um lote de escravos, sobe a Serra do Mar e alcança o Vale do Paraíba, então habitado pelas nações indígenas Araris e Puris, ao encontro da sesmaria onde edificará a Ponte Alta, sua fazenda cafeeira. Os escravos no eito, o café secando no terreiro, a roda d’água girando, as sacas de muitas arrobas no lombo das mulas Serra abaixo, até o porto do Rio de Janeiro. Tempo de barões poderosos, escravos vigorosos e sinhás exigentes em seus solares. O século finda e os descendentes do Barão, que viveram o apogeu do Ciclo do Café, vêem acontecer o que mais temiam: a derrocada do café, a abolição do sistema escravagista em 1888 e o advento da república um ano após.

      Assim, o final do século XIX encontra a Ponte Alta, entre tantas outras fazendas cafeeiras, hipotecada ao Banco do Brasil, de onde emergirá pelas mãos do negociante Conde Modesto Leal, exatamente na virada do novo século. São novos tempos e o café migra para as fazendas paulistas, com trato de imigrantes remunerados. Na antiga província Fluminense, a roda d’água já não gira para o café, a terra, tão esgotada quanto os escravos que o barão não poupava, virou pasto, alimento para o gado leiteiro.

      Em 17 de Novembro de 2006 a Ponte Alta é vendida para o empresário Jair da Silva Ferreira, natural de Rio Preto, Minas Gerais, que preocupado em resgatar a história do país, ele permite que a fazenda continue recebendo visitantes. Assim ele mantém o compromisso com a história do Brasil que nunca poderá ser esquecida. O Brasil agradece!